depois, a ontologia. um homem a menos...aquilo que
caracteriza a máquina nos faz questionar aquilo que caracteriza o humano: a
matéria de que somos feitos. o diretor pegou meu rosto em suas mãos e me pediu
para mostrar meus dentes, como com um cavalo. isso aconteceu em uma
quarta-feira, e na segunda-feira seguinte eu estava filmando. a imagem do
ciborgue nos estimula a repensar a subjetividade humana; sua realidade nos
obriga a deslocá-la. deixar um papel é uma tristeza terrível. o último dia de
filmagem é surreal. sua alma, seu corpo e sua mente não estão prontos para ver
o fim dessa experiência. nos meses seguintes após uma filmagem, sente-se uma
profunda sensação de vazio.

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